Teatro na Grécia Antiga

História do Teatro Grego

 

 

Creso Queiroz-ator e estudante de jornalismo

Por Creso Queiroz

   

 As Diferenças entre comédia e tragédia  

No Ocidente, mais precisamente na Grécia Antiga é que se registra o surgimento do teatro, à partir de manifestações a Dioniso, deus do vinho, da vegetação, do êxtase e das metamorfoses. O Teatro Grego era uma grande manifestação artística e cultural daquele povo revolucionário das artes. Os rituais no teatro de Dioniso no princípio eram para contar as histórias dos deuses e dos mitos. As encenações podiam durar várias horas ou mesmo dias. Só homens podiam interpretar os personagens masculinos e femininos e participar das peças. Com o passar dos anos, os rituais dionisíacos foram se modificando e se transformando em tragédias e comédias e era comum o uso de máscaras para interpretar tanto a comédia quanto a tragédia.  Dioniso se tornou, assim, o deus do teatro.  

 

teatro Grego

Teatro de Epidauros (Grécia)/ foto: Creso Queiroz

 

 O período mais fértil foi entre os séculos 6 a.C. e 5 a.C. ficou conhecido como o “Século de Ouro”. Foi durante esse intervalo de tempo que a cultura grega atingiu seu auge nas artes e na cultura. Atenas tornou-se o centro dessas manifestações culturais e reuniu autores de toda a Grécia, cujos textos eram apresentados em festas de veneração a Dioniso.  

 

Teatro Grego

As Bacantes em foto da internet (sem autoria)

 

Ainda hoje não se tem muita certeza de quando o tearto realmente teria aparecido no mundo, mas o primeiro diálogo que se tem notícia e registro, foi uma apresentação anual de peças sagradas no Egito Antigo, mais precisamente 2.500 a.c, e era uma celebração ao mito de Osíris e ísis (STATON e BANHAM 1996 p. 241).  

 Toda a história girava em torno da morte e da ressurreição de Osíris e a vitória com direito a coroação de Horus, além disso, segundo os livros de história grega, tanto a palavra teatro como também o conceito de teatro, que era independente da religião, só foi aparecer mesmo na Grécia de Psístrato no período de 560 à 510 a.c. Também como contam os historiadores mais antigos, além dos Gregos terem desenvolvido o teatro como o conhecemos, Aristóteles teria escrito a primeira obra que era chamada de Poéticas de Aristóteles. Aristóteles teria afirmado na época que a tragédia surgiu mesmo de improvisações feitas pelos chefes dos Ditirambos, e era uma espécie de hino cantado e dançado em honra e divindade ao Deus Dioniso (símbolo da fertilidade e Deus do vinho)  

 

 

A TRAGÉDIA GREGA NOS TEMPOS ANTIGOS  

  

O culto a Dioniso   

Na Grécia antiga, as encenações teatrais gregas que derivaram dos cultos dedicados a Dionísio, o 13º deus do Olimpo, protetor das vindimas, que provavelmente originou-se da Ásia, eram os grandes acontecimentos culturais dessa época. Etimologicamente “Dionísio” significa o filho de Zeus (os romanos chamaram-no de Baco). Na época da colheita as comunidades rurais dedicavam ao deus festivo, cinco dias de folias ungidas com muito vinho, até provocar a embriaguez coletiva. Durante as bacantes, isto é, as festas dionisíacas, ninguém poderia ser detido e aqueles que estivessem presos eram libertados para participarem da festança geral.  

  

O Corifeu e o Coro nas encenações   

Com o entuito de entreter os participantes das festas bacantes, ajudando a passar o tempo, eram organizadas pequenas encenações, ora dramáticas, ora satíricas, coordenadas por um corifeu. Este torna-se um personagem chave na deflagração da encenação, apresentando-se como o mensageiro de Dionísio.  

 Acompanhava-o um coro que tinha a função de externar por gestos e passos ensaiados os momentos de alegria ou de terror que permeavam a narrativa. O corifeu e o coro são os elementos básicos do Teatro, formam o ponto de partida da encenação que mais tarde assumirá algumas alterações bem definidas.  

 

O teatro grego pode ser dividido em três partes: tragédia, comédia antiga e comédia nova.   

  

A tragédia   

 

Segundo a história da mitologia grega, o significado do grego tragoidía” (“tragos” = bode e “oidé” = canto). Canto ao bode é uma manifestação ao deus Dioniso, que se transformava em bode para fugir da perseguição da deusa Hera. Em alguns rituais se sacrificavam esses animais em homenagem ao deus. A tragédia apresentava como principais características o terror e a piedade que despertava no público. Para os autores clássicos, era o mais nobre dos gêneros literários.  

 Era constituída por cinco atos e, além dos atores, intervinha o coro, que manifestava a voz do bom senso, da harmonia, da moderação, face à exaltação dos protagonistas. O coro tinha uma função muito importante nas encenações do teatro grego.  

 Diferentemente do drama, na tragédia o herói sofre sem culpa. Ele teve o destino traçado e seu sofrimento é irrefutável. Por exemplo, Édipo nasce com o destino de matar o pai, Laio, e se casar com a mãe. É um dos exemplos de histórias da mitologia grega que serviram de base para o teatro. 

 

Autores trágicos   

Por se tratar de uma sociedade antiga, deve-se muito à arqueologia o resgate dessa memória. A partir de alguns registros, acredita-se que foram cerca de 150 os autores trágicos.  

  Os três tragediógrafos que conhecemos, Ésquilo, Sófocles e Eurípedes escreveram cerca de 300 peças, das quais apenas 10% chegaram até nós.  

Ésquilo (cerca de 525 a.C. a 456 a.C.)  

 Considerado o fundador do gênero, sete peças suas sobreviveram à destruição do tempo: “Os Persas”,Sete contra Tebas“, “As Suplicantes“, “Prometeu Acorrentado“, “Agamêmnon“, “Coéforas” e “Eumênides“.  

  

teatro Grego

Ésquilo em foto da internet (sem autoria)

 

Sófocles (496 a.c a 406 a.c)  

 Importante tragediógrafo, também trabalhava como ator. Entre suas peças estão a trilogia “Édipo Rei”, “Édipo em Colona” e “Antígona“. Considerado o maior dramaturgo grego, viveu quase por inteiro o século de Péricles.  

teatro Grego

Sófocles (foto de internet sem autoria)

          
 
 
 

Eurípides (485 a.C. a 406 a.C.)  

 Pouco se sabe sobre sua vida. Ainda assim, é dele o maior número de peças que chegaram até nós. São 18 no total, entre elas: “Medéia”, “As Bacantes”, “Heracles”, “Electra”, “Ifigênia em Áulis” e “Orestes”. Influenciado pelo movimento sofista, foi o mais progressista dos trágicos gregos, não chegando entretanto a negar as tradições.  

 

teatro Grego

Eurípedes (foto de internet sem autoria)

 

A comédia antiga   

  

A origem da comédia é a mesma da tragédia: as festas ao deus Dioniso. A palavra comédia vem do grego “komoidía” (“komos” remete ao sentido de procissão).  

 Na Grécia havia dois tipos de procissão que eram denominadas “komoi”. Numa, os jovens saiam às ruas, fantasiados de animais, batendo de porta em porta pedindo prendas, brincando com os habitantes da cidade. No segundo tipo, era celebrada a fertilidade da natureza.  

 Apesar de também ser representada nas festas dionisíacas, a comédia era considerada um gênero literário menor. É que o júri que apreciava a tragédia era nobre, enquanto o da comédia era escolhido entre as pessoas da platéia. Um preconceito em relação ao gênero que perdura até os dias atuais.  

 Outra diferença também é a temática, que diferia nos dois gêneros. A tragédia contava a história de deuses e heróis. A comédia falava de homens comuns, do povo.  

  

Um gênero ligado à democracia    

  

Na Grécia antiga a encenação da comédia era dividida em duas partes, com um intervalo. Na primeira, chamada “agón”, prevalecia um duelo verbal entre o protagonista e o coro.  

 No intervalo, o coro retirava as máscaras e falava diretamente com o público para definir uma conclusão para a primeira parte. A seguir, vinha a segunda parte da comédia. Seu objetivo era esclarecer os problemas que surgiram no “agón”.  

 A comédia antiga, por fazer alusões jocosas aos mortos, satirizar personalidades vivas e até mesmo os deuses, teve sempre a sua existência muito ligada à democracia. A rendição de Atenas na Guerra do Peloponeso, no ano de 404 a.C., levou consigo a democracia e, conseqüentemente, pôs fim a comédia antiga.  

  

Aristófanes (447 a.C. a 385 a.C.)  

Considerado o maior autor da comédia antiga, escreveu mais de 40 peças, das quais conhecemos apenas 11, entre elas: “Lisístrata”, “As Vespas”, “As Nuvens” e “Assembléia de Mulheres”. Lisístrata, por exemplo, mostra a guerra do Peloponeso e de Esparta. Pensando em ganhar a guerra e parar com a morte prematura de seus maridos, a personagem principal “Lisístrata”, resolve unir as mulheres da cidade de Atenas e declarar uma greve de sexo, caso a guerra continuasse.  

  

teatro Grego

Aristófanes (foto sem autoria)

  

  

 A comédia nova   

 Após a capitulação de Atenas frente a Esparta, surgiu a comédia nova, que se iniciou no fim do século 4 a.C. e durou até o começo do século 3 a.C. Essa última fase da dramaturgia grega exerceu profunda influência nos autores romanos, especialmente em Plauto e Terêncio.  

 A comédia nova e a comédia antiga contém muitas diferenças. Na comédia antiga, o coro já não é um elemento atuante, sua participação fica resumida à coreografia dos momentos de pausa da ação, a política quase não é discutida.  Começou-se a abordar as relações humanas amorosas, como as intrigas e a paixão.  

 Não existem mais as sátiras violentas. A comédia nova é mais realista e procura, utilizando uma linguagem bem comportada, estudar as emoções do ser humano.  

  

  

Menandro (343 a.C. a 291 a.C.)  

 O principal comediógrafo dessa fase, mais de 100 peças suas chegaram recentemente até nós. Muitas conhecemos apenas por título ou por fragmentos citados por outros autores antigos, com exceção de “O Misantropo”, uma de suas oito peças premiadas, cujo texto completo, preservado num papiro egípcio, foi encontrado e publicado em 1958.   

 
 

teatro Grego

Menandro (foto sem autoria)

 

 

 O Teatro de Delfos no Templo de Apolo 

 

   O Teatro de Delfos, localizado logo acima do Templo de Apolo, como ilustra bem a foto acima, era usado para encenações em adoração ao Deus Apolo. É uma construção que data do 4º século antes de cristo. Essa construção do Teatro de Delfos é o mais importante do templo de Apolo e tinha capacidade para 5.000 pessoas.  O rei de Pergamon, Eumenes II, foi quem reformou o teatro e acrescentou um pouco do estilo romano, entre 160 e 159 a.c. A pequena Delfos é cercada de oliveiras que na época era uma consagração ao Deus Apolo. 

  

teatro Grego antigo

Teatro de Delfos/foto: Creso Queiroz

 

 

 

 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

 

 

 

 

 

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