Funk – O estilo das periferias

O Funk teve seu início nos EUA no final da década de 1950. Quando o pianista norte-americano Horace Silver teve a idéia de juntar dois gêneros musicais o jazz e a soul music, utilizando batidas marcantes e frases repetidas. Até hoje, ele é considerado o pai do “Funk Style”.

O Gênero ganhou características dançantes com James Brown, que também o difundiu pelo mundo. O hit “Papa’s got a brand new bag”, lançado por ele, é considerado a marca registrada do estilo.

Desde o seu surgimento, o estilo foi considerado “indecente”. Primeiro pela etimologia, já que a palavra “funk” em inglês possui conotação sexual. E, com o passar do tempo, continuou a ser visto como tal por abusar em suas letras e coreografias de palavras que remetem ao ato sexual, da dança sexy/erotizada e do estilo solto.

Nos anos 1980, com o crescimento da indústria musical mundial, o estilo se dividiu em subgêneros. E, a partir daí surgiram o rap, o hip-hop, o break e a house music.

Por volta de 1990 o funk sofreu influência do rock pesado (heavy metal), com a fusão de guitarras distorcidas. Este estilo foi adotado pelas bandas Red Hot Chili Peppers e Faith no More.

Clássico dos bailes – Anos 80 e 90

No Brasil o gênero começou a ganhar popularidade em 1980. O ritmo que chegou ao país foi influenciado pelo Miami Bass, originário da Flórida, que já fazia uso de letras erotizadas e batidas rápidas.

Na terra tupiniquim o Funk encontrou abrigo no Rio de Janeiro e se popularizou através dos bailes de comunidades. As letras no país ganharam versões em português e aos poucos foram surgindo artistas e composições locais que passaram a explorar o cenário das áreas carentes. Temas como armas, violência, tráfico de drogas e humilhações sofridas por moradores foi de encontro com o dia-a-dia dessa população que passou a ter o estilo como hino, um porta voz de suas mazelas.

Com o passar do tempo surgiu o funk melody, conhecido também como funk romântico, para aqueles que gostavam de curtir o baile com romantismo. Uma das duplas que se destacaram nesse estilo foi Claudinho e Buchecha.

Por ter ganhado popularidade em áreas consideradas de risco no Rio de Janeiro, por serem controladas pelo tráfico de drogas e diversas facções, a briga entre rivais foi levada as pistas de dança. Nos bailes passou a surgir a “briga de galeras”, a pista se dividia em duas e os grupos rivais se confrontavam no meio do salão. Essa prática durou por longos anos, resultando em várias mortes.

Entre 1999 e 2000 a Assembléia Legislativa do estado do Rio de Janeiro – ALERJ criou uma CPI que acabou com a violência nos bailes e proibiu a realização do evento em alguns locais.

A partir do ano 2000 surgiu o “new funk” que também se popularizou em São Paulo e no carnaval baiano. O estilo era mais arrojado e trazia muita sensualidade. Surgiram a partir daí além dos Mcs, cantores de funk, os bondes, formados por homens e mulheres, que cantam e dançam.

O grande boom do estilo no Brasil, certamente foi o trabalho das equipes de som que comandavam os bailes. Uma das equipes mais antigas é a Furacão 2000, que surgiu nos anos 1970, ainda com a soul music. Comandada por Rômulo Costa, a Furacão 2000 se tornou um dos pilares do funk e é hoje uma das principais produtoras do gênero musical no país.

Além da Furacão, a equipe Via Show Digital, comandada por Verônica Costa, ex-mulher de Rômulo, conhecida pela massa funkeira como “Mãe Loura do funk, glamourosa e purpurinada” e a Big Mix, do Dj Marlboro comandam bailes por todo o país e são as responsáveis pela descoberta e pelo lançamento de novos talentos.

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