Biografia

 Talento surreal, amor de cinema e marketing pessoal

 

Estes são os principais elementos da história de uma das maiores personalidades do século XX  

Por Chandra Santos

 

A editoria de Pintura do Sala de Artes faz uma homenagem ao pintor Salvador Dalí nessa edição

 

“O termômetro do sucesso é apenas a inveja dos descontentes.”
Salvador Dalí
    

Salvador Domingo Felipe Jacinto Dalí i Domènech nasceu na Catalunha, na Espanha, em 11 de maio de 1904. Filho de um advogado, Salvador Dalí i Cusí, e de uma dona de casa, Felipa Domenech Ferrés, era o segundo filho da família, mas foi criado como se fosse reencarnação do primeiro. Recebeu o mesmo nome do irmão e desde criança era levado para visitar o túmulo do primogênito, que morreu cerca de um ano antes de seu nascimento.
 
O comportamento de Salvador Dalí sempre foi diferente. Exótico e excêntrico para alguns; genial e extravagante para outros. Sempre foi assim: na sua arte, no modo de enxergar o mundo e até na sua maneira de amar. Você vai conhecer agora um pouco da história de Salvador Dalí. Um dos pintores mais importantes do século XX e um dos fundadores do Movimento Surrealista. 

 

“Aos seis anos eu queria ser cozinheiro. Aos sete eu queria ser Napoleão. E minha ambição foi crescendo firmemente desde então.”
Salvador Dalí   

Por estímulo da mãe, desde muito cedo Salvador Dalí teve contato com o mundo das artes. Ainda criança começou a ter noções de pintura na Escola de Desenho Municipal. Aos 12 anos, descobriu a pintura impressionista durante as férias na casa de praia da família. Seus desenhos foram expostos pela primeira vez, em 1917, por intermédio de seu pai, que criou uma mini-exposição com as obras do filho. Aos 15 anos Dalí realizou sua primeira exposição pública no Teatro Municipal de Figueres. Dois anos depois, foi morar em Madri onde estudou na Academia de San Fernando. Lá, teve contato com os movimentos Cubista – nessa época pouco conhecido na Espanha- e Dadaísta. Porém, em 1926, Dalí foi expulso da Academia antes das provas finais por desacato: o pintor disse que ali não havia ninguém com capacidade suficiente para julgar o trabalho dele.      

  “Uma vez em Paris, tomarei o poder!”
Salvador Dalí
 

 Após esse episódio, Dalí deu uma guinada na vida artística. Viajou para Paris, onde conheceu o ídolo Pablo Picasso. Influenciado pelo cubista, por Juan Miró e pelos artistas renascentistas, Dalí começa a expressar no papel o que se passava no inconsciente dele: sonhos, medos da época de criança, lembranças, desejos, fantasias, imagens descontextualizadas ou distorcidas. A Sexualidade, a morte, o nojo, as paisagens da Espanha e a religiosidade são temas frequentes em seus quadros. Incompreendido pela maioria das pessoas, ele foi chamado de louco várias vezes. Mas, em um ponto todos se rendiam a Dalí: a excelente qualidade plástica de suas obras. O artista utilizava um pincel bem fino para que as pinceladas ficassem imperceptíveis nas obras, deixando-as com aparência de fotografias. 

 

Tela "A Persistência da Memória", de Salvador Dalí

 

A tela “A persistência da Memória” (1931) se tornou o trabalho mais conhecido do artista. A obra aborda a teoria de Einstein sobre a relatividade do tempo. A inspiração do pintor veio de um queijo Camembert derretendo com o calor que faz durante o verão europeu.  

 

Tela "Sonho Causado Pelo Voo de Uma Abelha em Torno de Uma Romã", de Salvador Dalí

 
Outro clássico de Dalí, que “vira-e-mexe” aparece em questões de vestibulares, é “Sonho Causado Pelo Voo de uma Abelha ao Redor de uma Romã um Segundo Antes de Acordar” (1944). Esta obra marca a presença de um elemento recorrente nas obras do espanhol: os elefantes.
 
“Você tem que criar a confusão sistematicamente, isso liberta a criatividade. Tudo o que é contraditório cria vida.”
Salvador Dalí
 
Dalí ingressou no grupo Surrealista em 1929. Seu talento é indiscutível: produziu mais de 1.500 quadros ao longo da carreira, fez ilustrações para livros (como Dom Quixote e Alice), desenhos para cenários de teatro, litografias, esculturas e fotografias. Redigiu roteiros para cinema e catálogos de exposições. Criou 39 jóias entre 1941 e 1970, sendo a mais famosa o “The Royal Heart” feito em ouro e diamantes (abaixo). O artista também desenhou frascos de perfume e roupas para grifes como Christian Dior. Entre suas criações como estilista estão um sapato em forma de chapéu e uma rosa para um cinto com fivela no formato de lábios.
 

"The Royal Heart" (1953): jóia criada pelo artista para a esposa Gala

 

Dalí também era “queridinho da mídia”. Além de participar de programas de TV, como o que apareceu junto do elefante, Dalí participou de um anúncio de TV para a Lanvin Chocolates, em 1968. No ano seguinte, exerceu sua face publicitária criando o logotipo da empresa Chupa Chups. 

  
 
“A diferença entre as lembranças falsas e verdadeiras é a mesma das jóias: as falsas sempre aparentam serem as mais reais, as mais brilhantes.”
Salvador Dalí
  
Em 1942, Dalí mostra seu lado escritor lançando o primeiro livro de vários que viria lançar nos anos seguintes: a sua autobiografia, “A vida Secreta de Salvador Dalí”. Dois anos depois, o romance “Hidden Faces” (rostos ocultos) é publicado pela editora Dial Press. Quando ele já colhia os “louros da fama”, sua irmã Ana Maria escreve uma biografia sobre ele: “Dalí visto por sua irmã”. Na obra, ela contradiz a autobiografia escrita por ele e isso o deixa muito sentido, mas tão sentido que Salvador Dalí nunca perdoou a irmã pelo que ela fez.
 
“Sem uma audiência, sem a presença de espectadores, essas jóias não iriam cumprir a função para a qual ansiei. O espectador, então, é o melhor artista.”
Salvador Dalí
  
A participação de Salvador Dalí no cinema começa com o curta “Un Chien Andalou” (1929), em parceria com Luis Buñuel e termina, postumamente, com o Curta de animação “Destino” (2003), uma parceria entre Dalí e Walt Disney. O curta “Um Chien Andalou” é amplamente lembrado até hoje por seus gráficos cena simulando a abertura de um globo ocular com uma navalha. Em 2008, foi lançado o filme “Little Ashes” sobre o pintor. Vários documentários também foram feitos abordando a vida e a obra do artista contemporâneo.
 
“Quando as criações de um gênio colidem com a mente de um leigo, e produzem um som vazio, há uma pequena dúvida sobre de quem é a culpa”
Salvador Dalí
 
Edward James ajudou Salvador Dalí a emergir no mundo da arte através da compra de muitas obras do artista e apoiando-o financeiramente durante dois anos. Os dois ícones do Surrealismo: o “telefone-lagosta” (1938) e o “Sofá-lábios de Mãe West Durante” (1937) também foram criados por Dalí.
 

"Sofá Lábios de Mãe West": objeto foi criado por Dalí

"Telefone-lagosta": outro símbolo do surrealismo

 
“É o bom gosto, e somente o bom gosto, que possui o poder de esterilizar e é sempre o primeiro obstáculo para qualquer funcionamento criativo.”
Salvador Dalí
 

Salvador Dalí e Gala Éluard: casal se conheceu em 1929 na casa do poeta Paul Éluard

 

Foi em agosto de 1929, já então com 25 anos e com a carreira estabilizada, que Dalí conhece o amor de sua vida: a imigrante russa Elena Ivanovna Diakonova, mais conhecida como Gala Éluard. Nem o fato da diferença de idade (ela era dez anos mais velha que ele), nem o ato de adultério (era esposa do poeta surrealista Paul Éluard) impediram a paixão dos dois. Um amor verdadeiramente imensurável e raro de se ver. Gala se tornou a musa dos quadros e o centro das atenções de Dalí. Quando Gala morre em 1982, Dalí sofre um baque tão forte que perde a vontade de viver. Com a saúde já debilitada desde 1980, Dalí entra em depressão e para de se alimentar. Em 1984, desorientado, põe fogo no próprio quarto no Castelo de Pubol (que comprara para Gala e onde ela foi enterrada). Até hoje não se sabe as causas do incêndio: especula-se que tenha sido uma tentativa de suicídio ou de homicídio contra um empregado. Ou ainda que tenha sido negligência de seus funcionários. Dali foi salvo e levado de volta para o teatro-museu onde permaneceu até dezembro de 1989, quando foi levado ao hospital. No dia 23 de janeiro de 1989, aos 84 anos, Salvador Dalí morre de insuficiência cardíaca e é sepultado na cripta do seu teatro-museu.
 
“Se morro, não morrerei totalmente”
Salvador Dalí

 

O Museu de Pubol em Figueres, na Espanha: Salvador Dalí foi enterrado na cripta do castelo

 

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